A Ypê declarou, em nota divulgada à imprensa neste sábado (9), que manterá suspensa a linha de produção de detergentes, lava roupas líquidos e desinfetantes que fazem parte do lote com final 1, mesmo com um efeito suspensivo obtido contra a decisão da Anvisa.
FELIPE MENDES
SÃO PAULO, SP () – O caso envolvendo a fabricante de produtos de limpeza Ypê virou símbolo do que é o ‘Fla-Flu’ na política brasileira. A empresa, que tem como dono apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, virou alvo de debates nas redes sociais após ter parte de sua produção suspensa por determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na última quinta-feira (7).
A Ypê declarou, em nota divulgada à imprensa neste sábado (9), que manterá suspensa a linha de produção de detergentes, lava roupas líquidos e desinfetantes que fazem parte do lote com final 1, mesmo com um efeito suspensivo obtido contra a decisão da Anvisa.
A Química Amparo, dona da marca Ypê, é controlada pelos irmãos Waldir Beira Júnior, Jorge Beira e Ricardo Beira. São herdeiros de Waldyr Beira, fundador do negócio que morreu em um acidente no trabalho. Nas eleições de 2022, quatro integrantes da família doaram, juntos, R$ 1,5 milhão para apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro, que tentava se reeleger naquele momento.
Apoiadores do ex-presidente iniciaram uma campanha a favor da empresa nas redes sociais. Até artistas endossaram as críticas contra órgãos sanitários. Nas redes, bolsonaristas dizem que a empresa é alvo de perseguição e represália por parte do governo Lula.
O ator global Júlio Rocha e a cantora Jojo Toddynho foram alguns dos famosos que endossaram os críticos à suspensão. Rocha disse “já tomei banho com Ypê” no Instagram, enquanto a cantora afirmou que não abriria mão de usar produtos do lote suspenso pela Anvisa.
Enquanto isso, os órgãos sanitários pedem cautela. O CVS (Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo) reforçou, em nota enviada à Folha, que o risco sanitário permanece, portanto não recomenda que consumidores utilizem produtos do lote 1.
O trabalho de avaliação tem sido realizado entre Anvisa, CVS e a Vigilância Sanitária do município de Amparo, no interior de São Paulo.
Segundo o comunicado, a liminar obtida pela empresa não libera consumidores ao uso ou a venda dos produtos do lote possivelmente infectado. “O CVS esclarece que a avaliação técnica sobre o risco sanitário permanece mantida. A apresentação de recurso administrativo pela empresa segue o rito previsto na legislação vigente e será analisada pela Anvisa, sem alterar, até o momento, a avaliação decorrente da inspeção”, diz.
Os órgãos sanitários apontam que a inspeção realizada na última semana identificou descumprimentos em etapas essenciais da produção, além de falhas que indicam risco sanitário em diversos produtos.
“A recomendação aos consumidores é que não utilizem os produtos indicados na medida sanitária, que abrange lava louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes de lotes específicos da marca”, afirma o CVS. “A mesma recomendação vale para o comércio destes produtos em mercados, supermercados e similares, no sentido de que segreguem os lotes destes produtos e não os coloquem à venda.”
O QUE DIZ A YPÊ SOBRE A ANVISA
“A Ypê esclarece que tem mantido suspensa as linhas de produção da sua fábrica de líquidos desde o último dia 7 de maio, responsáveis pela fabricação dos produtos lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes de número de lote final 1 (um), objeto da RE n. 1834/2026”, afirma a empresa. “Esta medida continua em curso, independentemente do efeito suspensivo obtido com o nosso recurso, e tem como objetivo acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa.”
A empresa diz que tem colaborado com as autoridades na busca por uma solução à situação. Em comunicado divulgado anteriormente, a Ypê diz que recebeu a determinação da Anvisa e que colabora integralmente, “conduzindo todas as ações necessárias com máxima prioridade, responsabilidade e transparência”. A fabricante diz que ampliou a estrutura de atendimento do SAC nesta sexta-feira (8).
QUEM É A YPÊ
Fundada em 1950, a Ypê é líder do mercado de diversas categorias no segmento de higiene e limpeza no país. Segundo estimativas da própria empresa, está presente com seus produtos em cerca de 95% dos lares brasileiros, com um portfólio com mais de 450 itens diferentes em 23 categorias. Também é dona de marcas como Assolan, Atol, Tixan, entre outras.
A matriz da companhia é em Amparo, a 129 km de São Paulo. De capital fechado, a empresa emprega mais de 7.000 pessoas e conta com complexos fabris em Salto (SP), Simões Filho (BA), Anápolis (GO), Goiânia (GO), Itajubá (MG) e Itapissuma (PE). Ao longo do tempo, a dona da Ypê se tornou uma concorrente de peso para a gigante Unilever, dona também do limpador e desinfetante Cif, e da P&G, dona das marcas Ariel, Downy, Ace.
QUE PRODUTOS FORAM SUSPENSOS?
De acordo com a Anvisa, somente os lotes que terminam com o número 1, dos produtos abaixo estão afetados:
Lava-louças Ypê Clear Care
Lava-louças com enzimas ativas Ypê
Lava-louças Ypê
Lava-louças Ypê Toque Suave
Lava-louças Concentrado Ypê Green
Lava-louças Ypê Clear
Lava-louças Ypê Green
Lava-roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
Lava-roupas líquido
Tixan Ypê Cuida das Roupas
Lava-roupas líquido Tixan Ypê Antibac
Lava-roupas líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
Lava-roupas líquido Tixan Ypê Green
Lava-roupas líquido Ypê Express
Lava-roupas líquido Ypê Power Act
Lava-roupas líquido Ypê Premium
Lava-roupas Tixan Maciez
Lava-roupas Tixan Primavera
Desinfetante Bak Ypê
Desinfetante de uso geral Atol
Desinfetante perfumado Atol
Desinfetante Pinho Ypê
Lava-roupas Tixan Power Act
RAIO-X | QUÍMICA AMPARO
Fundação: 1950
Sede: Amparo (SP)
Funcionários: 7.300
Marcas: Ypê, Tixan, Banho a Banho, Flor de Ypê, Siene, Perfex, Assolan, Atol
Fábricas: Amparo (SP), Salto (SP), Simões Filho (BA), Anápolis (GO), Goiânia (GO), Itajubá (MG) e Itapissuma (PE)
Concorrentes: Unilever, P&G, Reckitt, Flora, Limppano, Bombril
Faturamento: R$ 10 bilhões
Ypê vira alvo de embate político nas redes sociais após suspensão da Anvisa
Fonte: Gazeta Mercantil – Economia






