sexta-feira, 12 de junho de 2026
JORNAL DA TARDE
  • Login
No Result
View All Result
JORNAL DA TARDE
No Result
View All Result
Home BRASIL

Contratos de namoro disparam com busca por proteção patrimonial

Alisson Sakamoto by Alisson Sakamoto
junho 12, 2026
in BRASIL
A A
Contratos de namoro disparam com busca por proteção patrimonial

SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – Impulsionados, segundo especialistas, por divorciados e viúvos que voltam a se relacionar após os 50 anos, 241 contratos de namoro foram registrados em 2025, o maior número desde que a modalidade começou a ser contabilizada pelo Colégio Notarial do Brasil (CNB/CF).

Em 2016, haviam sido apenas 26 atos. O crescimento acumulado no período alcança 827%. Na comparação com 2022, quando foram registrados 93 contratos, a alta é de 159%.

O contrato de namoro é um documento por meio do qual o casal declara formalmente que mantém uma relação afetiva, mas sem a intenção de constituir união estável naquele momento. Embora não impeça automaticamente o reconhecimento da união estável pela Justiça, o instrumento funciona como um elemento de prova da intenção manifestada pelas partes.

Os números aparecem em meio a mudanças na composição das famílias brasileiras. Dados do IBGE mostram que quase um terço dos casamentos realizados atualmente no país envolve ao menos uma pessoa divorciada ou viúva.

O percentual passou de 13,5% em 2004 para 31,1% em 2024. Atualmente, cerca de 3 em cada 10 divórcios registrados no Brasil envolvem pessoas com mais de 50 anos, faixa etária associada ao chamado divórcio cinza.

Diferentemente de um sinal de desconfiança amorosa, o crescimento desse tipo de acerto revela uma mudança de comportamento: casais passaram a falar de dinheiro mais cedo na relação.

Para quem volta a se relacionar após uma separação ou viuvez, a realidade costuma ser diferente daquela vivida no primeiro casamento. Imóveis, investimentos, empresas e filhos de uniões anteriores passam a fazer parte da equação, aumentando as preocupações relacionadas à herança, sucessão e patrimônio.

“Estamos observando uma mudança importante no perfil de quem procura esse ato no cartório. São pessoas que já passaram por um casamento ou união estável, construíram patrimônio, criaram filhos e agora iniciam uma nova etapa da vida afetiva”, afirma Eduardo Calais, presidente do CNB/CF.

“O contrato de namoro tem sido utilizado justamente para proporcionar transparência e segurança jurídica, preservando direitos, evitando conflitos futuros e protegendo tanto o casal quanto seus herdeiros.”

Para a psicanalista e pesquisadora de relacionamentos Carol Tilkian, colunista da Folha, a expansão do instrumento reflete uma tentativa de trazer para o início da relação conversas que tradicionalmente costumavam surgir apenas durante crises ou separações.

“Estamos tentando normalizar falar de dinheiro já no começo das relações”, afirma. “Pensando pelo lado positivo, o contrato de namoro é uma tentativa de trazer essa conversa enquanto está tudo bem.”

A especialista observa que muitos casais permanecem anos juntos sem casamento ou união estável formalizada, compartilhando rotina, viagens, despesas e projetos de vida. Quando ocorre o rompimento, dúvidas sobre patrimônio e direitos costumam ganhar espaço.

“As brigas por dinheiro raramente são apenas por dinheiro”, diz. “Muitas vezes usamos a discussão patrimonial para machucar o outro. O contrato aparece como uma forma de esclarecer limites antes que o conflito exista.”

Na avaliação dela, a procura pelo instrumento está mais ligada à proteção patrimonial do que a uma mudança na forma como os brasileiros encaram o compromisso afetivo. “Essa leitura simplifica completamente o fenômeno”, afirma. “Quem faz um contrato de namoro já está formalizando alguma coisa. O principal disparador tem a ver com proteção patrimonial.”

A preocupação também aparece entre pessoas que já enfrentaram disputas patrimoniais decorrentes de divórcios ou inventários.

De acordo com o advogado João Victor Gomes de Siqueira, especialista em processo civil, muitos dos clientes que procuram o documento acabaram de passar por uma separação ou ainda possuem questões patrimoniais pendentes da relação anterior.

“As pessoas temem ter que redividir algo que acabou de ser partido”, conta. “Elas buscam segurança jurídica deixando claro e expresso quais são as intenções de ambos naquele relacionamento.”

Siqueira afirma observar uma demanda crescente também entre adultos mais jovens. Na avaliação dele, a busca está relacionada à tentativa de reduzir incertezas em torno do reconhecimento judicial da união estável.

Ele ressalta, porém, que o contrato de namoro não funciona como uma blindagem automática do patrimônio. “O Judiciário pode reconhecer a união estável mesmo diante da existência do contrato, dependendo das circunstâncias concretas do relacionamento.”

Apesar do crescimento registrado na última década, o instrumento ainda é pouco conhecido, avalia Calais. No entanto, para ele, a procura deve continuar avançando à medida que mais brasileiros busquem organizar questões patrimoniais e sucessórias antes de iniciar uma nova etapa da vida afetiva.

“As pessoas vivem mais, permanecem ativas por mais tempo e constroem novas relações em diferentes fases da vida. Isso tende a ampliar a procura por instrumentos que ofereçam segurança jurídica para essas novas configurações familiares”, afirma o presidente do CNB/CF.

Contratos de namoro disparam com busca por proteção patrimonial

Veja Também

Mulher que deu à luz no chão de hospital em PE deve ser indenizada em R$ 25 mil

junho 12, 2026

Mega-Sena acumula e prêmio principal vai para R$ 12 milhões

junho 12, 2026

Enem 2026: prazo de inscrições termina nesta sexta-feira

junho 11, 2026

Fumaça no Consulado da Itália interdita parte da avenida Paulista

junho 11, 2026
Previous Post

Tati Machado anuncia gravidez um ano após perda gestacional

Next Post

PEC do fim da escala 6×1 pode aumentar em até 30% o valor de cada hora extra

Related Posts

BRASIL

Mulher que deu à luz no chão de hospital em PE deve ser indenizada em R$ 25 mil

junho 12, 2026
BRASIL

Mega-Sena acumula e prêmio principal vai para R$ 12 milhões

junho 12, 2026
BRASIL

Enem 2026: prazo de inscrições termina nesta sexta-feira

junho 11, 2026
BRASIL

Fumaça no Consulado da Itália interdita parte da avenida Paulista

junho 11, 2026
El Niño começou e ficará intenso no final do ano, aponta agência dos EUA
BRASIL

El Niño começou e ficará intenso no final do ano, aponta agência dos EUA

junho 11, 2026
BRASIL

Chuva incomum e ciclone atingem o Brasil: veja estados mais afetados

junho 11, 2026
Next Post

PEC do fim da escala 6x1 pode aumentar em até 30% o valor de cada hora extra

JORNAL DA TARDE

contato@jornaldatarde.com

  • BRASIL
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTES
  • FAMA
  • LIFESTYLE
  • MUNDO
  • NEWS
  • POLÍTICA
  • TECNOLOGIA
  • Sobre
  • Expediente
  • Política Editorial
  • Política de Correções
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso

© 2025 Jornal da Tarde - Notícias do Brasil e do mundo - ISSN: 1516-294X - contato@jornaldatarde.com

No Result
View All Result
  • BRASIL
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTES
  • FAMA
  • LIFESTYLE
  • MUNDO
  • NEWS
  • POLÍTICA
  • TECNOLOGIA

© 2025 Jornal da Tarde - Notícias do Brasil e do mundo - ISSN: 1516-294X - contato@jornaldatarde.com

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
Este site usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies.