GUILHERME MATOS
SÃO PAULO, SP
(JORNAL DA TARDE) – O desconto prometido pelo valor inicial dos leilões online é real, mas nem sempre sobrevive à disputa. Como o preço final é definido pelos próprios participantes e ainda entram custos de frete ou retirada, impostos e taxas, o valor pode chegar perto ou até superar o de um item lacrado de loja.
Um PlayStation 5 que estava sendo oferecido pelo valor inicial de R$ 554 em um leilão online da Receita Federal, por exemplo, foi arrematado por R$ 3.999, sem contar impostos e taxas extras. Um console novo, com garantia de fábrica e acessórios, pode ser comprado por valores que variam de R$ 3.500 a R$ 4.600, segundo o histórico de preços do Buscapé entre 13 de agosto e a última segunda-feira (21).
Na primeira semana de outubro, a Receita Federal começa a receber propostas para um leilão de itens armazenados no Aeroporto de Guarulhos. A lista inclui um PlayStation 5 com preço inicial de R$ 300, além de dois iPhones 17 de 256 GB por R$ 600. Na loja oficial, o mesmo produto custa R$ 6.000. A sessão de lances será no dia 13 do mesmo mês. É possível consultar as informações na página de leilões do órgão.
VEJA COMO SE PREPARAR PARA AS PRÓXIMAS DISPUTAS E ECONOMIZAR
Os itens de leilão têm um ônus: não há qualquer garantia para o comprador. Para evitar futuros pedidos de troca ou reembolso, os editais deixam claro que o produto pode estar quebrado ou bloqueado por senhas de usuários ou pela fabricante.
Segundo Thiago da Mata, CEO da Kwara, empresa especializada em leilões, as buscas por pregões da plataforma cresceram cerca de cinco vezes nas últimas semanas, impulsionadas pelo pedido de recuperação judicial da Casas Bahia.
A plataforma já realizava leilões de itens devolvidos pela chamada logística reversa, quando o produto retorna do consumidor final para o fabricante, desde o segundo semestre do ano passado.
Segundo da Mata, a crise da varejista funcionou como um chamariz para leilões de eletrodomésticos, que têm produtos como geladeiras, lavadoras, fogões e outros itens.
Thiago da Mata reconhece que os preços da plataforma podem igualar, em alguns casos, os valores praticados pelo mercado. Para evitar pagar preço de loja em mercadoria sem garantia, é necessário fazer pesquisa.
Primeiro, é preciso ler com atenção as regras dos editais e as descrições dos lotes para entender como vai funcionar a disputa e quais são os direitos do arrematante. Depois, é recomendado agendar uma visita para verificar o estado do produto.
“A visita presencial é importante porque o cliente consegue entender se o estado em que o bem se encontra está adequado à sua expectativa e ao que daria de lance.”
O executivo diz que o valor inicial baixo dos leilões desperta o interesse pela disputa. Conforme as propostas avançam, a vontade de vencer cria um impulso para oferecer mais lances. Ou seja, é necessário calcular até que ponto vale a pena continuar no pregão e resistir à vontade de dar mais uma oferta depois de atingir esse limite.
RECEITA FEDERAL
Além desses, estão previstos sete leilões para outubro. Serão 977 lotes distribuídos entre Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
Segundo o Serviço de Mercadorias Apreendidas da Superintendência da Receita em São Paulo, a principal orientação é buscar informação antes de dar um lance: ler o edital por completo, consultar o manual do licitante disponibilizado pelo órgão e visitar os lotes de interesse.
Os editais trazem datas, locais e horários de visitação. A Receita também alerta que o comprador deve considerar custos extras, como o transporte da mercadoria do local de armazenamento e o recolhimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
A Receita afirma ainda que, embora os preços mínimos costumem ficar abaixo do mercado, o valor final pago é resultado da disputa entre os licitantes. Isso, segundo o órgão, explica a possibilidade de itens serem arrematados por valores próximos ou até superiores aos de mercado, como aconteceu com o PlayStation 5.
A Receita entende, no entanto, que casos como esse são pontuais.
“Talvez a empolgação de arrematar, combinada com a falta de informação sobre preços de mercado de uma minoria, leve à ocorrência desses casos”, afirma.
Somente na 8ª Região Fiscal, que abrange São Paulo, já foram realizados 12 leilões em 2026, somando cerca de 2.500 lotes ofertados. Nos certames mais recentes, o índice médio de arrematação ficou em torno de 90%. Segundo a Receita, esse dado indica que a compra em leilão costuma ser vantajosa para quem participa.








