O estreito de Ormuz voltou “ao seu estado anterior” de controle rigoroso, devido à recusa dos Estados Unidos em levantar o bloqueio aos portos iranianos. A rota marítima “está novamente fechada e a passagem requer a aprovação do IRÔ, de acordo com a emissora estatal iraniana IRIB.
Um porta-voz do Quartel-General Central de Hazrat Khatam al-Anbiya afirmou, neste sábado, que o estreito de Ormuz “voltará ao seu estado anterior” de controle rigoroso, devido à recusa dos Estados Unidos em suspender o bloqueio aos portos iranianos.
“A República Islâmica do Irã, em conformidade com acordos anteriores alcançados nas negociações, concordou de boa-fé com a passagem controlada de um número limitado de petroleiros e navios comerciais pelo estreito de Ormuz. Infelizmente, os americanos continuam com o chamado bloqueio. Por essa razão, o controle do estreito de Ormuz voltou ao seu estado anterior, e esse estreito estratégico está sob gestão e controle rigorosos das forças armadas”, diz o comunicado citado pela Sky News.
A mesma nota afirmou que, “enquanto os Estados Unidos não garantirem a total liberdade de passagem de embarcações do Irã de e para o Irã, a situação no estreito de Ormuz permanecerá sob controle rigoroso e em seu estado anterior”.
De acordo com a emissora estatal iraniana IRIB, isso significa que a rota marítima “está novamente fechada e a passagem requer a aprovação do IRÔ.
Vale lembrar que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Aragchi, anunciou na sexta-feira que “a passagem de todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz” permaneceria “totalmente aberta durante o período restante do cessar-fogo”.
“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada totalmente aberta durante o período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização Portuária e Marítima da República Islâmica do Irã”, escreveu na rede social X (Twitter).
In line with the ceasefire in Lebanon, the passage for all commercial vessels through Strait of Hormuz is declared completely open for the remaining period of ceasefire, on the coordinated route as already announced by Ports and Maritime Organisation of the Islamic Rep. of Iran.
— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) April 17, 2026
Por sua vez, o presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu à abertura do estreito de Ormuz com uma mensagem totalmente em letras maiúsculas, na qual afirmou que “O ESTREITO DO IRÃ ESTÁ TOTALMENTE ABERTO E PRONTO PARA A PASSAGEM TOTAL”.
Em outra publicação, também em letras maiúsculas, o magnata alertou que “O BLOQUEIO NAVAL PERMANECERÁ EM PLENO VIGOR E EFEITO, APENAS NO QUE DIZ RESPEITO AO IRÔ.
“O ESTREITO DE ORMUZ ESTÁ TOTALMENTE ABERTO E PRONTO PARA O COMÉRCIO E TRÂNSITO LIVRE, MAS O BLOQUEIO NAVAL PERMANECERÁ EM PLENO VIGOR E EFEITO, APENAS NO QUE DIZ RESPEITO AO IRÃ, ATÉ QUE NOSSA NEGOCIAÇÃO COM O IRÃ ESTEJA 100% CONCLUÍDA. ESSE PROCESSO DEVE OCORRER MUITO RAPIDAMENTE, JÁ QUE A MAIORIA DOS PONTOS JÁ FOI NEGOCIADA”, afirmou.
Poucos minutos depois, o chefe de Estado garantiu que Teerã “concordou em nunca mais fechar” essa rota.
“O Irã concordou em nunca mais fechar o Estreito de Ormuz. Ele não será mais usado como arma contra o mundo!”, escreveu, destacando novamente em letras maiúsculas o que classificou como “UM DIA MARAVILHOSO E BRILHANTE PARA O MUNDO!”.
Trump também indicou que um acordo com o Irã deve ser alcançado rapidamente, “já que a maioria dos pontos já foi negociada”.
As negociações buscam encerrar a guerra desencadeada pela ofensiva lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. O Irã respondeu com ataques contra Israel e países da região, além de bloquear o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de produtos energéticos.
A guerra e o bloqueio do estreito fizeram os preços do petróleo dispararem e geraram temores de uma crise econômica global. Além disso, o conflito causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, país que foi arrastado para o confronto após ações do Hezbollah, que atacou Israel após a morte do líder iraniano Ali Khamenei.
Israel, inclusive, recusou incluir o Líbano no acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. No entanto, após a intervenção de Washington, concordou com uma trégua de 10 dias na ofensiva contra o Hezbollah.






