WASHINGTON, EUA (JORNAL DA TARDE) – Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu nesta segunda-feira (5) o desempenho eleitoral da direita na América Latina ao desmonte da Usaid, agência americana de ajuda internacional praticamente extinta pelo governo do republicano.
“Desde que desmantelamos a Usaid, a esquerda não ganhou uma única eleição presidencial na América Latina”, escreveu Trump Jr. nas redes sociais, horas após o resultado do primeiro turno no Brasil. A disputa presidencial em 25 de outubro se dará entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT).
Ele afirmou, sem apresentar evidências, que bilhões de dólares dos contribuintes americanos eram destinados a ONGs, programas de promoção da democracia e redes de ativistas que “convenientemente sempre apoiavam o mesmo lado”.
O filho do presidente classificou a atuação da agência como “interferência eleitoral” e agradeceu a Elon Musk, que, segundo ele, teve papel central nos primeiros esforços do governo Trump para desmontar a estrutura da Usaid.
“Eles chamavam isso de ajuda, mas era interferência eleitoral. Obrigado, Elon Musk, por trazer isso à luz. O golpe acabou”, escreveu.
Musk também comentou as eleições brasileiras sob o mesmo contexto. Nas redes sociais, ele compartilhou uma reportagem sobre o Brasil e disse que a “Usaid se envolveu em interferência eleitoral e mudança de regime em todo o mundo, causando imensos conflitos”.
A declaração reforça uma tese recorrente entre aliados de Trump de que programas americanos de financiamento a organizações da sociedade civil e iniciativas de promoção da democracia favoreceriam grupos de esquerda no exterior. A alegação é contestada por organizações beneficiárias e por ex-integrantes do governo americano.
A Usaid foi fundada pelo presidente John F. Kennedy em 1961, com o intuito principal de centralizar e promover a ajuda externa dos EUA. À época, ela reuniu um rol de programas de assistência estrangeira que já estavam em vigor.
Trump Jr. mantém há anos uma relação próxima com a família Bolsonaro, em especial com Eduardo Bolsonaro, a quem já chamou de amigo. Os dois se conheceram em 2018 e passaram a frequentar a mesma rede internacional de movimentos conservadores.
Em 2021, o filho de Trump participou por vídeo da CPAC Brasil, organizada por Eduardo, e, na véspera da eleição de 2022, declarou apoio à reeleição de Jair Bolsonaro (PL), afirmando que ele era a única pessoa capaz de impedir o avanço do “socialismo e comunismo” na América do Sul.
Em janeiro de 2025, durante as celebrações que antecederam a posse de Donald Trump, Trump Jr. encontrou Eduardo Bolsonaro em um baile hispânico em Washington. Ao descer do palco, o filho do presidente americano trocou apertos de mão e abraçou o deputado brasileiro.
A declaração desta segunda ocorre no momento em que integrantes do governo e aliados de Trump acompanham o segundo turno brasileiro.
Questionado sobre o resultado, o secretário de Estado, Marco Rubio, limitou-se a dizer que a disputa havia ido para o segundo turno “como todos esperavam”, sem declarar apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro.
O próprio Trump também não citou os candidatos ao comentar a votação: em uma publicação feita após a apuração, elogiou a rapidez da contagem, mas inicialmente confundiu o Brasil com a Índia ao afirmar que 125 milhões de pessoas haviam participado de uma eleição presidencial no país asiático. Ele depois corrigiu a postagem para dizer que se referia ao Brasil.










