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Guerra pressiona caixa de companhias aéreas no Brasil, e setor prevê impacto na aviação regional

Redação by Redação
maio 11, 2026
in ECONOMIA
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Alta do combustível após tensões no Oriente Médio já leva companhias aéreas a reduzir voos no Brasil; setor prevê mais cancelamentos, impacto na demanda e prejuízos financeiros, com maior efeito esperado na aviação regional nos próximos meses

() – Companhias aéreas brasileiras começam a estimar o prejuízo causado pela disparada no preço dos combustíveis após a escalada dos conflitos no Oriente Médio nos últimos meses. O setor prevê aumento no número de cancelamentos, com um baque esperado para a aviação regional, e especialistas apontam impacto financeiro futuro para as empresas.

Por ora, a Abear, associação que representa as três principais companhias aéreas brasileiras, Gol, Azul e Latam, não vê risco de falta de combustíveis nos próximos meses. Isso porque a maior parte do QAV (querosene de aviação) usado pelas empresas no Brasil é produzido em território nacional.

Juliano Norman, presidente da entidade, diz que, apesar disso, a passagem mais cara por causa da alta nos combustíveis pode desestimular a demanda. Por isso, segundo ele, as companhias já vêm ajustando a malha, com redução dos voos projetados para os próximos meses.

De acordo com um levantamento exclusivo feito pela Abear a partir de dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o Brasil registrou uma queda de 3,3% no número de voos projetados para o mês de maio.

Os dados referem-se especificamente ao mercado doméstico e regular (sem táxis aéreos, fretados, aviação executiva etc.).

Em 2 de abril de 2026, estavam previstos 2.193 voos por dia no Brasil em maio, segundo o levantamento. O patamar caiu para 2.121 voos por dia em 6 de maio, quando a associação voltou a fazer o monitoramento.

No total projetado para o mês, são 2.225 voos a menos em todo o país em relação à primeira projeção.

Norman afirma que, se a situação com os combustíveis não mudar, os cancelamentos devem continuar crescendo nos próximos meses. Segundo ele, a aviação regional deve ser mais afetada do que a ponte aérea entre Rio e São Paulo e outras rotas mais movimentadas.

“Tem um limite do quanto você consegue repassar. Claro que isso é rota a rota. Os mercados mais premium absorvem mais, os outros, menos. Tem um limite. E fica simplesmente inviável”, afirma.

Nos resultados trimestrais divulgados pelas companhias aéreas nesta semana, as empresas anunciaram prejuízo financeiro gerado pela alta dos combustíveis.
A Latam disse que a guerra causou um impacto de US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) no primeiro trimestre deste ano.

O conflito fez a empresa rever projeções para uma série de indicadores. Antes, a aérea previa um preço de US$ 90 por barril de petróleo. Agora, a empresa projeta que esse patamar suba para US$ 170 no segundo e no terceiro trimestres de 2026, e para US$ 150 no final do ano.

Em dezembro, a Latam projetava que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançaria uma margem entre US$ 4,2 bilhões e US$ 4,6 bilhões em 2026. Agora, essa faixa caiu para entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões.

A Latam disse em nota que prevê atualmente em junho de 2026 um crescimento de 8% na sua capacidade doméstica medida em ASK (Assentos-Quilômetros Oferecidos) na comparação com junho de 2025. Trata-se de uma redução de 3% no crescimento originalmente planejado para o mês, de acordo com a empresa.

Durante entrevista a jornalistas na última semana, a Folha de S. Paulo questionou Jerome Cardier, CEO da Latam, se a empresa prevê falta de combustível nos próximos meses. O executivo disse que a companhia tem acompanhado com os parceiros comerciais um potencial risco de falta de disponibilidade de QAV -cenário fora de cogitação, por enquanto, segundo ele.

“Isso depende muito do que acontecer nas próximas semanas e meses em relação à disponibilidade de combustível. Mas hoje a gente ainda não tem nenhum risco mapeado de desabastecimento dos destinos onde a Latam opera”, afirmou.

Em teleconferência a investidores, o CEO da Azul, John Rodgerson, disse que o fluxo de caixa da empresa foi impactado negativamente por uma redução no ATL (sigla em inglês para o valor dos bilhetes vendidos antes da viagem). Segundo ele, o cenário é resultado dos efeitos da guerra no Irã e, por consequência, da menor capacidade na operação da empresa.

“Esse impacto deve ter caráter pontual, ocorrendo apenas enquanto ajustamos nossos níveis de capacidade. À medida que a capacidade se normalizar, o ATL também deve retornar a níveis mais típicos”, afirmou o executivo na teleconferência.

Companhia de capital fechado, a Gol não divulga seus resultados trimestrais. Em nota à reportagem, a empresa disse que se manifesta por meio da Abear.
Na opinião de Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, entre as três maiores companhias aéreas do país, a maior prejudicada pela alta no preço dos combustíveis deve ser a Gol.

“A Azul tem muitas rotas exclusivas em que ela opera sozinha, e a Latam, por ser um grupo internacional, tem negociação global de combustível, tem maior poder de barganha. A Gol opera majoritariamente no mercado doméstico brasileiro em regiões de alta competição”, explica.

Adalberto Febeliano, ex-diretor de Relações Institucionais da Azul e especialista em aviação civil, afirma que a Azul tem a vantagem de operar em rotas onde ela não tem concorrência. Segundo ele, porém, essa vantagem é relativa, já que o custo do combustível afeta todas as rotas.

O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, disse em teleconferência com investidores e jornalistas nesta sexta-feira (8) que a fabricante brasileira ainda não registrou nenhum efeito do aumento dos preços dos combustíveis nem dos cancelamentos de voos pelas companhias aéreas. Segundo ele, as vendas estão normais tanto na área de aviação comercial quanto na de jatinhos (aviação executiva).

O executivo diz que, internamente, a diretoria da companhia está dando mais atenção para os processos de gestão de custo e gestão de eficiência, para que estejam preparados para algum impacto futuro.

Guerra pressiona caixa de companhias aéreas no Brasil, e setor prevê impacto na aviação regional

Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

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