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Jornalista que denunciou a Covid-19 na China é condenada (de novo)

Redação by Redação
setembro 22, 2025
in MUNDO
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De acordo com a associação Jornalistas sem Fronteiras (conhecidos pela sigla RSF), durante o último ano “a jornalista Zhang Zhan foi completamente isolada do mundo exterior, e quase toda a informação sobre a sua localização foi mantida em segredo”

Zhang Zhan, a jornalista chinesa que revelou ao mundo a realidade da Covid-19 ainda na sua fase inicial, em Wuhan, na China, voltou a ser condenada a mais quatro anos de prisão por “provocar problemas” no país.

A jornalista voltou a ser presa em 28 de agosto de 2024, por reportar as supostas violações de direitos humanos perpetuadas pelo governo chinês. Durante o último ano, segundo a associação Jornalistas sem Fronteiras (conhecidos pela sigla RSF), “a jornalista foi completamente isolada do mundo exterior, e quase toda a informação sobre a sua localização foi mantida em segredo”.

Notícias ao Minuto [Registro da jornalista Zhang Zhan]© X  

“Ela deveria ser celebrada globalmente como uma ‘heroína da informação’. Não detida em prisões com condições subumanas”, afirma a gerente de advocacia da RSF da região da Ásia-Pacifico, em um comunicado citado pela NBC News. “Esta perseguição tem de acabar”, acrescenta.

O advogado de Zhang, Ren Qyanniu, disse na rede social X que as acusações não tinham qualquer base jurídica e que a jornalista estava sendo julgado devido a comentários que deixou em sites internacionais.

A autoridades chinesas em uma especificaram publicamente quais foram as atividades de Zhang que “provocaram problemas” e levaram a esta nova acusação.

“Esta é a segunda vez que Zhang Zhan enfrentou um julgamento sobre acusações sem qualquer base que mostram nada mais do que um ato de perseguição claro ao trabalho jornalístico dela”, afirmou Beh Lih Yi, diretor para a Ásia-Pacífico do Comité para a Proteção dos Jornalistas.

Zhang foi presa pela primeira vez a 14 de maio de 2020, enquanto fazia a cobertura do início da Covid-19. 

Nas redes sociais, a jornalista publicou mais de 100 vídeos, nos meses anteriores à sua detenção, onde documentou o que estava acontecendo na cidade de Wuhan: de hospitais abarrotados a ruas completamente desertas – uma realidade muito mais crítica do que aquela que o governo chinês queria que o público visse.

Sete meses depois de ser detida, foi condenada a quatro anos de prisão, sob a mesma acusação que agora a voltou a levar para prisão: “provocar problemas” no país.

Já na época, o advogado de Zhang tinha dito que a jornalista acreditava que estava sendo “perseguida por exercer o seu direito à liberdade de expressão”.

O advogado contou ainda que nos primeiros meses de aprisionamento, Zhang comprometeu-se com uma greve de fome, que quase a matou, e obrigou as autoridades a amarram-lhe os braços e à alimentarem à força com recurso a um tubo nasal. A representação da jornalista contou que, por vezes, os guardas a deixavam algemada durante dias a fio

A primeira sentença da jornalista terminou em maio de 2024 – portanto, apenas três meses antes de voltar a ser detida.

Segundo a RSF a China é o país com mais reclusos jornalista, com pelo menos, 124 destes profissionais atrás das grades. No Index de Liberdade de Imprensa Mundial da RSF de 2025, o país surge no lugar 178 de 180. Atrás de si surge apenas a Coreia do Norte e a Eritreia, um país da África Oriental.

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