(UOL/FOLHAPRESS) – Duas das principais torcidas organizadas do São Paulo FC, a Torcida Independente e a Dragões da Real, anunciaram nos últimos dias o rompimento do apoio ao presidente Julio Casares e passaram a pedir publicamente sua renúncia.
A insatisfação não é recente. Desde o fim de 2025, Casares tem sido alvo constante de protestos em jogos do São Paulo, com cânticos ofensivos direcionados ao dirigente. O desgaste se manteve em 2026 e ficou evidente também na Copa São Paulo de Futebol Júnior, quando, nos quatro jogos disputados em Sorocaba, o presidente voltou a ouvir manifestações hostis da torcida.
Expectativa de protestos no Morumbis
A pressão tende a aumentar nesta quinta-feira. O São Paulo faz sua primeira partida em 2026 diante do próprio torcedor no Morumbis, contra o São Bernardo, pelo Campeonato Paulista. A expectativa é de novos protestos, com faixas, vaias e cânticos direcionados à diretoria, especialmente ao presidente Casares.
Torcedor que tatuou assinatura de Casares se arrepende
Um episódio que simboliza a mudança de percepção da torcida envolve Raphael Alves, músico e torcedor do São Paulo conhecido nas redes sociais como “Barrigudinho Tricolor”.
Em 2023, após a conquista da Copa do Brasil, Raphael tatuou no corpo o autógrafo de Julio Casares, a frase “meu presida!” e referências ao título e ao então técnico Dorival Júnior. Nesta quinta-feira (15), ele se posiciona abertamente a favor da saída do presidente.
Em contato com o UOL, Raphael explicou a origem da tatuagem e o arrependimento posterior. Segundo ele, a decisão foi tomada no calor do momento, como parte de uma aposta com amigos pela conquista do título. Um prometeu raspar a cabeça, outro a barba, e ele se comprometeu a fazer a tatuagem, impulsionado pela emoção da conquista.
“Como torcedor iludido, eu acreditava muito, principalmente pelo discurso. Ele fala bem, sabe articular. Como não conheço muito os bastidores da política do clube, meu foco sempre foi o campo, acabei acreditando”, afirmou.
A mudança de visão veio a partir de reportagens e informações de bastidores que surgiram nos últimos meses. Raphael diz que, desde o fim de 2024, começou a perceber sinais de que algo não ia bem. Ele afirma que se arrepende de ter levado a idolatria além do futebol.
“Não me arrependo da emoção pelo time, isso foi verdadeiro. Mas errei ao levar isso para o lado político. O Casares brincou com os sonhos do são-paulino, e isso pesa no arrependimento. Do Dorival, não me arrependo em nada. Ele é profissional, e eu sabia que algo poderia mudar”, disse.
Alvo de ironias nas redes sociais, Raphael afirma que pretende cobrir a assinatura do presidente tatuada no corpo. “A assinatura do Julio Casares eu com certeza pretendo cobrir. Sem sombra de dúvidas”, afirmou.
Aliados aconselham renúncia
Com o rompimento das organizadas, protestos recorrentes nos estádios e uma derrota na Justiça relacionada às regras do processo de impeachment, Julio Casares vem sendo aconselhado por aliados políticos a renunciar ao cargo.
O presidente, no entanto, segue no comando do clube e passará por uma votação que pode resultar em sua destituição nesta sexta-feira (16), a partir das 18h30, no Salão Nobre do Morumbis.






