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SUS inicia transição para usar insulina mais moderna e de ação prolongada

Redação by Redação
fevereiro 6, 2026
in BRASIL
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Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a ideia é atingir todos os estados ainda neste ano. São contemplados, até o momento, crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2

( JT) – O Ministério da Saúde realiza entre fevereiro e março um projeto-piloto no Amapá, Paraíba, Paraná e no Distrito Federal para substituir a insulina NPH, de duração média e mais antiga, pela insulina glargina, de ação prolongada e mais moderna.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a ideia é atingir todos os estados ainda neste ano. São contemplados, até o momento, crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa é que cerca de 50 mil pessoas sejam contempladas nessa primeira fase.

A escolha do público-alvo, afirma o ministro, foi pactuada entre o comitê de especialistas e gestores estaduais e municipais. A indicação pode ser ampliada ao longo do ano, conforme a evolução do programa e a capacidade de produção, inclusive para atender mais pessoas com diabetes tipo 2, que é mais recorrente no país.

As equipes de saúde passam por treinamento para prescrição, aplicação e acompanhamento dos pacientes, incluindo orientações sobre o uso das canetas de insulina, consultas regulares e visitas domiciliares.

Patrícia Moreira Gomes, diretora da Sbem-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo), diz que a principal diferença entre as duas insulinas está no perfil de ação. A NPH, apesar de ser considerada de ação intermediária, geralmente não cobre as 24 horas do dia, exigindo duas ou três aplicações diárias. Já a glargina tem duração próxima de 24 horas, sendo usada, na maioria dos casos, uma vez ao dia.

“A NPH faz um pico de ação e depois o efeito cai, o que aumenta o risco de hipoglicemia. Já a glargina tem uma ação mais constante, o que reduz esse risco”, explica.

Além disso, a redução no número de aplicações diárias tende a melhorar a adesão ao tratamento. “Quando o paciente passa de três aplicações para uma, isso traz mais comodidade e facilita o uso correto da insulina”, afirma.

A mudança também pode gerar economia para o sistema público. Segundo a endocrinologista, menos aplicações significam menor uso de agulhas e menor risco de episódios de hipoglicemia que exigem atendimento de urgência.

“Quando o paciente tem queda de açúcar, às vezes precisa procurar pronto atendimento ou até o Samu. Reduzindo essas ocorrências, o sistema também reduz custos”, diz.

A insulina glargina foi incorporada ao SUS em 2019 e, após seis anos, o Ministério da Saúde havia confirmado a chegada do medicamento ao sistema público para fevereiro de 2025. Porém, o produto começa a ser distribuído um ano depois da promessa e sete anos após a aprovação pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias).

Em nota enviada à Folha de S.Paulo na época, o Ministério da Saúde afirmou que a aquisição do medicamento enfrentou dificuldades devido à exigência, estabelecida no relatório de recomendação da Conitec, de que o custo fosse igual ou inferior ao da insulina NPH, já disponibilizada aos pacientes. Foram realizados dois pregões sem sucesso.

De acordo com o ministro, a produção local garante segurança de abastecimento e reduz a dependência de oscilações e crises internacionais.

Padilha afirma que o mundo enfrenta uma crise no abastecimento de insulinas devido à produção em larga escala das chamadas canetas emagrecedoras, que são produzidas, em parte, pelos mesmos laboratórios que fabricam as insulinas. Além de os produtos apresentarem linhas de produção e dispositivos semelhantes, as empresas redirecionaram investimentos e capacidade para os medicamentos para perda de peso.

“Os principais produtores internacionais de insulina migraram boa parte das suas fábricas para os chamados peptídeos, usados nas canetas emagrecedoras”, diz o ministro.

Para enfrentar a crise internacional, o Brasil começou a produção nacional de insulina após 20 anos de interrupção e dependência do mercado externo. A retomada se deve a acordos de transferência de tecnologia firmados entre o Ministério da Saúde e os laboratórios Wockhardt e Gan&Lee, da Índia e da China. A partir deles, os laboratórios públicos Funed (Fundação Ezequiel Dias), em Nova Lima (MG), e Bio-Manguinhos, no Ceará -unidade da Fiocruz- passam a produzir o fármaco.

Entidades médicas alertam para dificuldades de abastecimento de insulina desde 2023. Em janeiro de 2025, a Folha de S.Paulo noticiou falta do medicamento em farmácias da capital paulista e em outras regiões do país, como Goiás e Minas Gerais.

O Ministério da Saúde, porém, negava o desabastecimento no SUS e afirmava que nenhum usuário ficou sem acesso ao medicamento. À reportagem o ministro confirma o problema e diz que a produção nacional vem como tentativa de solução.

“Chegou a afetar em 2024, e não só o SUS. O mais afetado foi o mercado privado, porque o SUS, com o seu poder de compra, conseguiu fazer uma compra internacional que furou essa crise”, afirma.

A previsão é produzir 36 milhões de tubetes de insulina glargina em 2026. Em 2025, o país recebeu cerca de 6 milhões de unidades. Parte da produção ainda ocorre na China, durante o processo de transferência de tecnologia, até que a fabricação seja totalmente nacional.

A transição da insulina NPH para a glargina no SUS, segundo o ministério, é resultado do Grupo de Trabalho da Insulina, implementado em novembro de 2025. A endocrinologista Karla Melo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), fez parte da equipe.

Melo afirma que a principal limitação para a ampliação do uso da glargina é a disponibilidade de canetas reutilizáveis, necessárias para a aplicação do refil. O projeto-piloto deve avaliar a dispensação do medicamento, o treinamento de profissionais de saúde e as orientações aos pacientes.

Em 2021, a Folha de S.Paulo mostrou que unidades de saúde da cidade de São Paulo enfrentavam desabastecimento de canetas de insulina, tanto descartáveis quanto reutilizáveis. Na época, a prefeitura afirmou que não havia falta de insulina, mas sim de aplicadores.

Apesar das dificuldades enfrentadas nos últimos anos, a vice-presidente da SBD afirma que não tem recebido relatos recentes de desabastecimento de insulina.

“As faltas que acontecem geralmente são pontuais, ligadas à distribuição entre estados e municípios, mas não tenho ouvido notícias de problemas mais amplos”, afirma.

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