JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – O Banco do Brasil tem até R$ 100 bilhões de crédito ao agronegócio que podem entrar nas novas linhas de renegociação criadas pela Medida Provisória 1.376/2026, que conta com fundo garantidor da União para cobrir os produtores afetados por eventos climáticos adversos. Desse montante, R$ 36,7 bilhões são créditos inadimplentes e R$ 63,5 bilhões são operações adimplentes prorrogadas ou renegociadas.
A estimativa foi dada por Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, ao comentar o balanço do segundo trimestre deste ano. Apesar de um lucro maior que o esperado, de R$ 3,9 bilhões, a inadimplência do agronegócio ainda pesou contra os resultados.
“A nova nossa carteira potencial para enquadramento na MP é de até R$ 100 bilhões, com até 113 mil clientes entre inadimplentes e aqueles com operações adimplentes prorrogadas ou renegociadas”, afirmou Tarciana.
Segundo cálculos do banco, a cada R$ 1 bilhão renegociado neste programa pode gerar um resultado de até R$ 200 milhões no lucro do banco.
Executivos do BB estão otimistas com a recuperação dos calotes do setor, embora o El Niño possa afetar produtores neste ano e no próximo.
Além das renegociações, a estatal tem feito novos empréstimos com mais garantias. Outro ponto é o financiamento à irrigação em zonas que geralmente enfrentam estiagem com o fenômeno climático, como o Centro-Oeste.
“Só em 2026 já judicializamos R$ 15,5 bilhões, um volume que já supera todo o valor que fizemos em 2025. Nesse processo, iniciamos a retomada de mais de 130 imóveis rurais”, afirmou Tarciana.
Além da MP 1.376/2026, cuja portaria deve ser publicada nos próximos dias, o banco também renegocia créditos rurais por meio da MP 1.314, chamada de BB Regulariza Agro. Nesta iniciativa, entraram R$ 39,341 bilhões em empréstimos.
Segundo o banco, a maioria dos clientes em dificuldade são arrendatários, o que facilita a retomada de produção, sem afetar o desempenho do agronegócio. Ainda de acordo com o BB, a propriedade retomada pela instituição volta a produzir na safra seguinte, ou seja, em até três anos.
Em junho, o crédito ao agronegócio atingiu saldo de R$ 421,6 bilhões, alta anual de 0,8%. A maior parte das novas contratações foi feita com alienação fiduciária, diz o banco, alcançando o percentual de 70% na Safra 25/26.
O setor vive uma onda de recuperações judiciais desde 2024, após quebras de safras de grãos em algumas regiões. No verão daquele ano, produtores do Centro-Norte, Sudeste e parte do Paraná tiveram uma estiagem prolongada, dado o impacto do último El Niño.
A inadimplência desses clientes ficou em 6,27% em junho, alta de 3,11 pontos percentuais no ano e de 0,05 ponto percentual no trimestre, uma desaceleração em relação aos balanços anteriores. Já os novos atrasos caíram de 1,77% para 1,37%.
RAIO-X | BANCO DO BRASIL
– Fundação: 1808
– Lucro no 2º tri de 2026: R$ 3,9 bilhões
– Agências: 3.931
– Funcionários: 83.991
– Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Nubank e Caixa Econômica Federal








