Em um ambiente de tensões geopolíticas e incertezas ligadas ao “efeito Trump”, a recomendação recorrente de especialistas para diversificar mercados e a pauta exportadora segue no centro do debate. Ainda assim, os dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostram que a variação das exportações permanece relativamente concentrada: os cinco principais produtos responderam por 46,7% das exportações totais do Brasil no acumulado de janeiro a julho de 2026, ante 43,3% no mesmo período de 2025.
Em julho, os volumes exportados e importados recuaram em relação ao mesmo mês de 2025. No entanto, o aumento dos preços assegurou crescimento, em valor, dos fluxos de comércio e melhora do superávit na comparação interanual.
No acumulado do ano, a principal contribuição para as exportações veio do petróleo, com 33,2%, seguido pela soja, com 22,44%, além do destaque para a carne bovina. Em julho, carne bovina e minério de ferro tiveram influências negativas, enquanto petróleo, soja e óleo combustível registraram contribuições positivas.
O relatório ressalta que o volume exportado de petróleo caiu 8,2%, mas os preços aumentaram 35,2%, o que resultou em contribuição positiva.
O saldo da balança comercial de julho foi de US$ 7,1 bilhões, levando o superávit acumulado no ano a US$ 49,0 bilhões, US$ 11,8 bilhões acima do registrado no mesmo período de 2025.
Entre os principais parceiros, houve melhora no saldo comercial com a China, com ganho de US$ 8,1 bilhões, e com a União Europeia, de US$ 2,9 bilhões. Com os Estados Unidos, o déficit aumentou de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,3 bilhões. Já com a Argentina, o superávit recuou de US$ 3,5 bilhões para US$ 1,2 bilhão.
Em valor, as exportações totais do Brasil aumentaram 6,2% em julho, enquanto as importações avançaram 7,6%. No mês, o volume exportado caiu 4,0%, ao passo que os preços de exportação subiram 10,7%. Nas importações, os preços cresceram 8,0%, também com recuo no volume.
No acumulado até julho, as exportações cresceram 10,5%, com alta de 2,8% no volume e de 7,1% nos preços. As importações avançaram 5,5%, com aumento de 0,2% no volume e de 5,2% nos preços.









