domingo, 19 de abril de 2026
JORNAL DA TARDE
  • Login
No Result
View All Result
JORNAL DA TARDE
No Result
View All Result
Home ECONOMIA

Vorcaro já usava ciranda financeira ao comprar banco que virou o Master, mostra BC

Redação by Redação
abril 19, 2026
in ECONOMIA
A A

A trama envolve a circulação de recursos entre empresas do próprio controlador, sem entrada real de recursos externos.

NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF () – Daniel Vorcaro tentou comprar o Banco Máxima, instituição que deu origem ao Master, usando um embrião do esquema de ciranda financeira que hoje está sob investigação, mostra documento do Banco Central que propôs o veto à operação em fevereiro de 2019. A trama envolve a circulação de recursos entre empresas do próprio controlador, sem entrada real de recursos externos.

Naquele momento, Vorcaro e outros pretendentes não conseguiram comprovar a origem dos recursos que seriam destinados a capitalizar o Máxima nem convencer o BC de que tinham capacidade econômica para assumir o controle do banco.

Procurada desde terça-feira (14) para falar sobre os problemas na compra do Máxima, a defesa de Vorcaro na quis se manifestar.

A estrutura usada pelo ex-banqueiro é detalhada por Sidnei Corrêa Marques, na época diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC e relator do processo. A reportagem teve acesso a dois documentos que se tornaram públicos via LAI (Lei de Acesso à Informação).

O BC apontou que, conforme documentação apresentada, tanto os recursos usados para a compra das ações de Saul Sabbá (então controlador do Máxima), por R$ 40 milhões, quanto os aportes adicionais de capital feitos por Vorcaro no banco, de R$ 48,1 milhões e R$ 22,5 milhões, tiveram origem na distribuição de resultados da Viking Participações, empresa que ficou conhecida por ser dona de aeronaves que ele costumava usar. O que, por sua vez, decorreu da reavaliação de ativos -terrenos e fundos de investimento.

Os técnicos do BC suspeitaram se tratar de “circularização” de recursos -prática em que o dinheiro apenas circula entre empresas ligadas, sem entrada real de novos recursos. Segundo investigações, essa manobra foi usada por Vorcaro no caso do Master.

O diretor afirmou que a fiscalização do BC apurou que “expressiva parcela de recursos para realizar a aquisição das ações do atual controlador foram originados no próprio Banco Máxima, mediante transferências em sequência de recursos entre a instituição, empresas de propriedade de Daniel Vorcaro e fundos de investimento”.

Questionado durante o processo, de acordo com o documento, Vorcaro não apresentou elementos que elucidassem a origem dos recursos de forma “clara e inequívoca”.

Boa parte do detalhamento da ciranda financeira está tarjada no documento do BC. Nos trechos que não estão sob sigilo, a autarquia descreve que, em 2016, as demonstrações financeiras da Viking registravam investimentos no valor de R$ 112,5 milhões.

Os documentos retratavam a participação da empresa em outras duas sociedades, a WWS e Superávit, que entre 2015 e 2016 registraram valorizações extraordinárias em imóveis (4.800% e 600%, respectivamente). O Banco Central identificou fragilidade nos laudos que embasavam esses resultados contábeis da Viking, pelo modo como o patrimônio dessas duas empresas foi calculado.

Após a reavaliação dos ativos, a firma subscreveu, em 1º de setembro de 2017, aproximadamente 2,6 milhões de cotas do fundo Brazil Realty mediante a transferência de mais de 500 mil ações da WWS (54,67% do seu capital social).

Naquele mesmo mês, a Viking fez uma nova subscrição de cotas do fundo (mais de 2,1 milhões), mediante a transferência das ações restantes da WWS.

Vorcaro é investigado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por causa de operações do Brazil Realty, um fundo de investimento imobiliário fechado, por práticas como a superavaliação de ativos.

“O Banco Máxima, presidido por Daniel Vorcaro, não apresentou qualquer documento ou informação que demonstre, de forma clara e inequívoca, a origem dos recursos utilizados na aquisição do controle e nos aumentos de capital da instituição, não estando satisfeitos, por conseguinte, os comandos normativos que exigem a demonstração da regular origem dos recursos”, disse o diretor do BC no voto.

O escopo da operação para a compra do Máxima foi modificado ao longo do processo. Em 15 de setembro de 2017, Vorcaro compraria de Sabbá ações representativas de 56,87% do capital do banco, por R$ 40 milhões. Posteriormente, a forma de pagamento foi alterada para R$ 36 milhões em cotas do fundo Brazil Realty e R$ 4 milhões em espécie.

Em 16 de janeiro de 2019, ficou acertado que entrariam outros participantes no negócio: Augusto Lima (10% de ações), Bruno Guedes (3%), Yan Tironi (3%), Alexandre Seguim (3%), Antonio Neto (3%), Felipe Simonsen (1,75%) e Armando Gallo (1,75%).

O Banco Máxima enfrentava dificuldades financeiras e estava à beira de ser liquidado pelo BC.

Um ex-integrante do Banco Central avalia que o dano ao sistema financeiro teria sido muito menor se a liquidação do Máxima tivesse ocorrido logo após a rejeição da compra por Vorcaro, em fevereiro de 2019 ou até antes, já que o tamanho do problema para o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) só foi crescendo.
Do início das tratativas, em 2017, até a aprovação da compra do Máxima por Vorcaro, em outubro de 2019, a conta a ser paga pelo FGC quase triplicou e já estava próxima de R$ 4 bilhões. Hoje, as liquidações ligadas ao conglomerado Master (rebatizado em 2021) somam rombo de mais de R$ 50 bilhões no fundo.

PLANO DE NEGÓCIOS REVISADO

Após a rejeição, Vorcaro apresentou um plano de negócios revisado, com novos produtos, como a aquisição de recebíveis com lastro em LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e cartão consignado do Estado da Bahia. Além disso, ele sozinho aportou R$ 70 milhões no Máxima, com mais R$ 30 milhões dos outros sócios, entre março e junho de 2019.

“A origem dos recursos foi regularmente demonstrada por todos os novos acionistas, conforme avaliado pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro”, disse o então diretor João Manoel Pinho de Mello no documento que recomendou a aprovação da compra oito meses depois da negativa. Em ambos os casos, as decisões foram tomadas pela diretoria colegiada por unanimidade.

O BC entendeu que Vorcaro, na nova tentativa, demonstrou capacidade econômica para ser acionista controlador, o que foi crucial para a decisão favorável ao negócio.

“No presente processo, foram feitas novas avaliações pelo Deorf [Departamento de Organização do Sistema Financeiro], com base na documentação encaminhada pelo interessado, em que se verificou a compatibilidade das projeções com os resultados das suas empresas até 31 de dezembro de 2018, os quais foram distribuídos parcialmente em 2019, demonstrando que o total de recursos esperados para este ano está realmente se concretizando”, complementou.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, no BC havia quem defendesse arrastar as tratativas. Mas pesou o fato de que Vorcaro passou a cumprir todos os requisitos objetivos analisados pelo órgão, o que poderia gerar problemas jurídicos à instituição se não fosse dada a aprovação.

Vorcaro já usava ciranda financeira ao comprar banco que virou o Master, mostra BC

Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

Veja Também

Empresas de energia renováveis suspendem quase R$ 40 bi em investimentos e avaliam deixar Nordeste

abril 18, 2026

Saiba como vai funcionar o cashback da restituição automática do IR

abril 18, 2026

Preços do petróleo devem seguir em alta volatilidade mesmo com reabertura de estreito de Hormuz

abril 18, 2026

Bancos centrais do mundo podem ter de rever posição de cortar juros, diz Durigan

abril 17, 2026

Autor

  • Redação
    Redação
Previous Post

Na justiça: Bilionário se divorcia e dá 'apenas' US$ 1 milhão à ex-esposa

Next Post

EUA manda aviso ao Brasil e promete ofensiva contra CV e PCC

Related Posts

ECONOMIA

Empresas de energia renováveis suspendem quase R$ 40 bi em investimentos e avaliam deixar Nordeste

abril 18, 2026
ECONOMIA

Saiba como vai funcionar o cashback da restituição automática do IR

abril 18, 2026
ECONOMIA

Preços do petróleo devem seguir em alta volatilidade mesmo com reabertura de estreito de Hormuz

abril 18, 2026
ECONOMIA

Bancos centrais do mundo podem ter de rever posição de cortar juros, diz Durigan

abril 17, 2026
ECONOMIA

Real é a moeda que mais valoriza em 2026; Dólar em queda

abril 17, 2026
ECONOMIA

Dólar cai para R$ 4,95 com otimismo sobre acordo entre EUA e Irã

abril 17, 2026
Next Post

EUA manda aviso ao Brasil e promete ofensiva contra CV e PCC

JORNAL DA TARDE

contato@jornaldatarde.com

  • BRASIL
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTES
  • FAMA
  • LIFESTYLE
  • MUNDO
  • NEWS
  • POLÍTICA
  • TECNOLOGIA
  • Sobre
  • Expediente
  • Política Editorial
  • Política de Correções
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso

© 2025 Jornal da Tarde - Notícias do Brasil e do mundo - ISSN: 1516-294X - contato@jornaldatarde.com

No Result
View All Result
  • BRASIL
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTES
  • FAMA
  • LIFESTYLE
  • MUNDO
  • NEWS
  • POLÍTICA
  • TECNOLOGIA

© 2025 Jornal da Tarde - Notícias do Brasil e do mundo - ISSN: 1516-294X - contato@jornaldatarde.com

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
Este site usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies.